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My printed soul.

5.11.05

foto

A vida anda um inferno. Ninguém fala comigo na minha casa por causa do problema com a comunidade do Orkut.

Entrei só pra postar a foto da Nicole Suzuki, a japinha que estou sendo acusada de ter pego.

NUNCA VI ELA.

E, PELA ÚLTIMA VEZ, NÃO SOU LÉSBICA OU BISSEXUAL.

4.11.05

Decisões

Cansei de só falar do Orkut. Mas é por pouco tempo porque acho que vou sair.

Ontem fui pro Rio atrás do João. Gastei o salário do mês. Por isso não escrevi. Fui no hotel que ele tava e fiquei esperando ele até tarde da noite.

Quando ele chegou, viu que eu tava nervosa. Eu tava meio tremendo, não sei porque. Me bateu um desespero gigante e eu comecei a chorar. Ele acho que ficou com vergonha dos funcionários do hotel que ficaram me olhando e me abraçou e começou a me levar em direção ao elevador. Eu comecei a chorar cada vez mais alto e nós subimos pro quarto.

Ele começou a gritar comigo, nem se sensibilizou com o meu choro. Eu fiquei tão nervosa que comecei me engasgar e faltar ar. Ele me ignorou e eu caí no chão e quase desmaiei. Fiquei recuperando o fôlego e ele na dele, como se eu não estivesse no quarto. Então quando eu tava melhor levantei e comecei a gritar com ele. Ele deve ter pensado que eu tava fingindo o choro, mas eu tava desesperada de verdade. E foi uma briga feia. Ele me segurou pelo braço e começou a me machucar e tentar me sacudir. Me chamou de um monte de nomes. Eu peguei o cinzeiro de vidro e bati na testa dele. Ele me largou na hora e sentou na cama. Ficamos um tempo nessa. Quando fui chegar perto para pedir desculpa ele me agarrou e me jogou na cama e a gente transou. Foi meio animal. Foi a vez mais animal. Tava me machucando um pouco, mas eu não reclamei.

Quando a gente terminou, ele se vestiu e disse para eu pegar um quarto no hotel, que ele pagava, mas ele não queria ficar comigo. Não queria dormir na mesma cama. Eu tentei brigar, mas a situação toda era tão absurda e eu me senti tão pequena e fraca que eu acabei saindo em silêncio. Peguei um táxi e fui pro aeroporto.

Não sei como ficou a situação...

Difícil é acreditar que isso tudo é só por causa de uns boatos.

2.11.05

fuck

Duas coisas.

Primeiro quero dizer que sinceramente eu não sei o que está acontecendo com minha vida. O João foi pro Rio ontem e hoje ligou dizendo que precisa conversar comigo. Tem dois tipos de espera por conversa. Uma, quando a pessoa não é nada nossa, é uma espera legal, nos dá um friozinho esperar e a gente chega até a pensar que aquela pessoa é comível - mesmo que não seja. A outra espera é quando temos algo com a pessoa - no caso o João que é meu namorado - é uma espera mais penosa porque sabemos que lá vem bomba. Parece que disseram pro João que eu fiquei com uma mina chamada Nicole Suzuki . Bem, eu consegui a foto dela e ela é uma japonesinha bonita, mas que eu não pegaria pq não corto pra esse lado.

Segunda coisa que eu ia falar. Minha mãe ficou sabendo que eu participava da comunidade "Adoro Sexo" no Orkut. Bem, e o bicho pegou aqui em casa. Minha vó foi pra casa da minha tia pq o clima ficou pesado pra caramba. Meu pai me descascou e o mano até tentou me ajudar, mas acho que ele ficou meio constrangido e acabou saindo de casa. Na verdade eu nem participava da comunidade. Tinha entrado nela no início do orkut e tinha deixado ela lá. Bem, mas a gente chegou numa fase que até as mães tão olhando o Orkut para investigar a vida das filhas. E, porra, eu nem gosto tanto assim de sexo!

Aí eu lembrei da Ká, uma amiga lá de Porto Alegre. Ela é minha única amiga judia. E tem várias amigas judias. Uma delas tava numa comunidade de sexo e quando tava atravessando um parque perto da casa dela, no fim da tarde, foi seguida por uns caras que sabiam tudo da vida dela através do Orkut. E começaram a falar da comunidade de sexo e as coisas que ela gostava de fazer. E tentaram estuprar ela, mas ela conseguiu fugir.

A boa notícia de hoje é que eu não vi a Sabrina Sato...

1.11.05

Visões, Orkut, Monitores e Antropologia

Hoje de tarde eu tava passando na 13 de maio a pé e apareceram vários caras com monitores na cabeça e perfis do Orkut como se fossem rostos e me deu uma raiva. Eu não sei o que os caras queriam com isso, mas tudo que tá acontecendo comigo me fez pensar que isso é o que as pessoas são hoje em dia: perfis do orkut. Todos investigando a vida de todos. Todos conhecendo não um rosto, mas uma página na internet. E todos se exibindo. E achei genial ter pensado isso.

Então eu fui na Vanessa, a minha amiga que faz antropolgia - mas que é limpinha -, e comentei isso com ela. Ela me deu uma interpretação filosófica da coisa e conseguiu relacionar com o Extreme Makeover, veja só.

Esse impulso bem arquetípico que nos faz ver o programa é um impulso de busca por uma interface mais amigável. Isso é a cirurgia plástica. E com o orkut, diz a Vanessa, a gente tem a liberdade de mudar e adequar a nossa interface, de acordo com o que parece mais apropriado em cada momento.

Eu não daria muita importância para isso, dado que é uma observação da Vanessa. E nada do que é dito por alguém também conhecida como "Boca de Veludo" deve ser levado tão a sério.

Mas como se amigas insanas e monitores ambulantes não fossem suficiente, à noite eu vi o fantasma de uma japonesa antes de dormir. Sério. Ela apareceu no meu quarto e eu achei que era sonho. De kiomono e com aqueles tamancos quadrados. Então eu meio que despertei e ela continuou lá. Tava usando um chapéu e falou umas coisas sobre mastectomia que eu não entendi direito.

Então ela falou que eu tinha que sair do Orkut. Eu perguntei como ela tinha entrado em casa, se ela tava me seguindo eu ia chamar a polícia. Ela só disse para sair do Orkut que ele tava estragando minha vida. Eu gritei com ela. E ela falou do João, que o João já sabia de tudo. Que tinham entrado no scrapbook dele e contado tudo que eu tinha feito. A Sabrina Sato falando e eu gritando com ela.

É. Sou estranha!!!